Histórico

A trajetória da Associação Agroecológica Tijupá, do final dos anos 80 aos dias atuais.

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A Associação Agroecológica TIJUPÁ foi fundada em janeiro de 1990, a partir da desvinculação da equipe do Projeto de Tecnologias Alternativas (PTA) que teve origem na Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (FASE) — que era abrigado na Sociedade Maranhense de Defesa dos Direitos Humanos (SMDDH), no final da década de 80.

Reunião de Marluze com a secretaria de Alcântara, Janeiro de 1993
Reunião de Marluze com a secretaria de Alcântara — Janeiro de 1993.

O nome TIJUPÁ é uma homenagem aos camponeses e camponesas, sendo uma palavra de origem Tupi usada para batizar uma cabana menor que a oca, que é feita de madeira e palha, construída no meio ou nas laterais dos roçados e das áreas de extrativismo para guardar alimentos, fazer refeições, guardar os instrumentos de trabalho, servir de abrigo para todo o período da colheita ou da catação de frutos.

O trabalho

A princípio, a TIJUPÁ tinha dois eixos de intervenção: um técnico — promover a melhoria dos sistemas produtivos tradicionais da agricultura familiar através do resgate e difusão de tecnologias alternativas de inspiração agroecológica; e outro político — fortalecimento da capacidade de intervenção e autonomia política de camponeses(as) e suas organizações na intervenção em políticas públicas, especialmente na luta pela Reforma Agrária e Meio Ambiente equilibrado.

Primeira fase (1990–1996)

Em sua primeira fase a TIJUPÁ, em parceria com as agências ecumênicas europeias EZE (posteriormente EED) e ICCO, atuou na Região da Baixada Maranhense.

Reestruturação e atuação na Microrregião de Rosário (a partir de 1996)

A partir de 1996, a TIJUPÁ passou por um processo de reestruturação programática e redefinição de sua área de atuação para a Microrregião de Rosário. A principal estratégia de intervenção neste período foi a realização de diagnósticos e formulação de Planos de Desenvolvimento Agroecológico Municipais (PDAMs) de Rosário e Presidente Juscelino. Em seu Programa de Desenvolvimento Agroecológico a TIJUPÁ intensificou os serviços de ATER em comunidades rurais para o fortalecimento e ampliação de experiências agroecológicas.

O Programa de Políticas Públicas era focado nas políticas agrícolas, agrárias e ambientais, além da participação em Redes e Fóruns. Destaque para o período do FÓRUM CARAJÁS e a criação da RAMA, sendo a secretaria executiva da primeira e integrando a coordenação da segunda, além da participação em importantes instâncias de políticas públicas estaduais (como o Conselho Estadual de Meio Ambiente). O Programa de Fortalecimento Institucional era focado na formação dos funcionários(as), fortalecimento das organizações parceiras e no programa de rádio O Homem e a Terra.

Plano Trienal 2002–2005

No período do Plano Trienal 2002–2005, a TIJUPÁ re-situou seu papel como organização estratégica na promoção da Agroecologia na sua intervenção local e na articulação e incidência em políticas. O Programa de Desenvolvimento Agroecológico privilegiou a implantação de unidades demonstrativas e experimentais e a formação de multiplicadores/as em agroecologia. No Programa de Políticas Públicas, a TIJUPÁ investiu na sua efetiva atuação no campo agroecológico, com destaque para a construção do I Encontro Nacional de Agroecologia (ENA). Em 2004 a TIJUPÁ assina convênio com o INCRA para a prestação de serviços de ATER em assentamentos da região de intervenção, criando dois escritórios locais: Morros e Rosário.

Plano Trienal 2005–2008

Durante a execução do Plano Trienal de Atividades 2005–2008 ocorreu a assinatura de novo Convênio de ATES com o INCRA, o que possibilitou à TIJUPÁ maior difusão das inovações agroecológicas, praticamente triplicando o público parceiro. No campo da intervenção em políticas públicas, a entidade foi eleita para a coordenação da ANA Amazônia e teve participação ativa no GT Financiamento da ANA. Ocorreu também a sua inserção na dinâmica de desenvolvimento territorial, ampliando seu leque de relações no Território Lençóis Maranhenses/Munim e trazendo à tona a necessidade do enfrentamento ao modelo de desenvolvimento vigente — o que rebate na discussão sobre as estruturas e práticas da reforma agrária em vigor no Maranhão e na colocação da agroecologia e economia solidária como elementos essenciais para a transformação da realidade rural.

Plano Trienal 2008–2011

No período do Plano Trienal de Atividades 2008–2011, a TIJUPÁ investiu nas articulações do campo agroecológico, passando a compor a Coordenação Nacional da ANA e participando ativamente do NuEx da articulação enquanto representação da Amazônia. Diante da intensificação do debate em torno da disputa por concepções e estratégias de desenvolvimento — forte avanço da disseminação de “pacotes” convencionais, avanços dos Grandes Projetos e violação de direitos humanos — a agroecologia ganhou importância ainda mais estratégica no âmbito institucional, se colocando como alternativa ao modelo de desenvolvimento proposto para a região.

Com a criação do Programa de Economia Solidária, a TIJUPÁ investiu no fortalecimento dos grupos produtivos que se tornaram referência importante no processo de formação e engajamento de novas famílias no desenvolvimento das inovações agroecológicas. A inserção política no campo da Economia Solidária deu maior consistência política às ações desenvolvidas nas áreas da comercialização e autogestão dos grupos produtivos parceiros. A criação do Programa Mulher e Agroecologia gerou impactos altamente positivos na afirmação institucional do trabalho com o público feminino, com destaque para o apoio aos grupos de mulheres. No período foi assinado novo Convênio com o INCRA, dando continuidade ao trabalho de ATER para os assentados/as da Reforma Agrária.

Momento atual

No momento atual, o Programa Agroecologia investiu fortemente na continuidade das ações produtivas que já estavam em curso, tornando-se referência importante no processo de formação e engajamento de novas famílias no desenvolvimento das inovações agroecológicas. No Programa de Economia Solidária houve grande intensificação do processo de feiras com a consolidação do Circuito de Feiras Agroecológicas do Munim — formado pelas feiras municipais em Morros, Presidente Juscelino, Rosário e Cachoeira Grande (sendo que as duas primeiras são semanais) — que vem obtendo bons resultados. Por outro lado, iniciaram-se atividades periódicas de feiras deste público em São Luís, capital do Estado, que vem aumentando seu público a cada edição. Além disso, as famílias parceiras intensificaram a sua inserção nos mercados institucionais, acessando o PNAE.

No que tange ao Programa de Políticas Públicas, destaca-se a participação da TIJUPÁ, articulada com a ANA, em iniciativas no âmbito da PNAPO. Destacou-se também a luta pela manutenção e ampliação de direitos das populações tradicionais frente ao avanço do agronegócio e da mineração, além da luta pela implantação de assentamentos federais na linha dos assentamentos ambientalmente sustentáveis, em especial os PAEs (Projetos de Assentamento Agroextrativistas). Em 2012 a TIJUPÁ assinou contrato com o INCRA para continuação das ações de ATER nos assentamentos federais, ampliando sua ação para 08 assentamentos com 1.516 famílias sendo beneficiadas — o que se estendeu até 2017.

A TIJUPÁ também acompanha as comunidades rurais, assessorando-as em conflitos e defendendo seus direitos, atuando desde a questão dos búfalos da baixada, da mineração e da expansão do agronegócio no sul do Estado e Baixo Parnaíba na década de 90, até os conflitos recentes envolvendo empreendimentos de infraestrutura portuária — como no caso da Comunidade do Cajueiro, da base espacial de Alcântara e da implantação dos linhões de energia no Baixo Munim.